09/02/2010

Lugar melhor

Queria ir pra um lugar onde não houvesse pessoas. Porque pra onde corro há muitas delas. Me sufocando, me perguntando, me fazendo chorar. Queria poder voar com asas que não são minhas e depois devolvê-las. Mergulhar em mares que não conhecesse. Sentir a liberdade, o vento, ouvir a música da água batendo na pedra. Falar menos, fazer mais. Correr sem me cansar. Gritar sem arranhar a garganta.
Queria poder ficar até a hora que quisesse olhando o formato das ondas. Escrever o dia inteiro me inspirando no sol. Velejar me localizando pelas estrelas. Ir ao norte, ir ao sul. Ficar morena sem me preocupar. Esquecer as doenças, as descrenças, as brigas, as desavenças. Abraçar qualquer bêbado que ver na rua. Poder enlouquecer. Esquecer os conselhos, aceitar os meus erros. Apagar todas as teorias e reescrevê-las. Esquecer a inferioridade, o dinheiro, as lágrimas.
Queria viajar a um lugar em que não houvesse problemas, desencontros, dores de cabeça. Todos parecem fartos disso. Queria um lugar em que não houvesse ciúmes, tristeza nem amor. Onde não existisse cansaço, dor, fome, trabalho, obrigações, roupas nem moda. Onde não houvesse vícios nem diferenças. Onde ninguém precisasse se preocupar com nada. Absolutamente nada.

08/02/2010

recomeço

As pessoas tem a idéia do mundo perfeito na cabeça até que lhe provem o contrário. Eu mesma, acreditava que as coisas eram tão mais fáceis até que a verdade, pãm, foi esfregada sobre meus olhos sob pressão.
A família perfeita, os amigos perfeitos, as histórias perfeitas. Tudo. Tudo simplesmente evaporou. Percebi que as pessoas não são como eu quero. Que eu exijo de mais delas. Percebi que criticar é bom, mas receber as críticas é como ter sal esfregado sobre minha pele recém rasgada.
Então eu percebi que o mundo não girava sob meu umbigo, como, obviamente todos descobrem um dia. Às vezes até uma revolta me alcança quando vejo crianças sendo mimadas, paparicadas, lambidas por seus pais, para depois, mais tarde, sofrerem ao descobrirem que o mundo é bem mais difícil do que lhes contaram.
Logo o meu mundo cheio de perfumes, livros, e pessoas sorridentes acabou. Como se a água da minha piscina resolvesse secar logo no dia mais quente do ano. Como se as pessoas virassem as costas quando eu mais precisasse (e isso já aconteceu muitas, muitas vezes). Em vista as minhas decepções, ficar encasulada para sempre naquele mesmo mundo que acreditava que nunca seria interrompido não seria a coisa mais sensata a fazer-se, por isso tentar conhecer o que nunca sonhara que existia fora a melhor opção a ser aderida.
Não digo que é melhor do que o mundo em que vivia antes, mas pelo menos é mais real, mais tocável, mais sentível.

Necessitando

Sempre na hora em que mais preciso todo mundo some. Parecem se esconder em um lugar onde só eles sabem e têm acesso, me deixando sozinha. A vontade de falar, de gritar, de que alguém me entenda é muito grande, o que só aumenta minha sensação de solidão. Você pensa que será como nos filmes, que do nada o príncipe encantado vai aparecer e te tirar daquele mundo paralelo, mas o fato é que ninguém aparece. Simplesmente porque ninguém se importa. Todos estão ocupados de mais pra se preocuparem.
Por isso escrevo aqui. Quem sabe seja mais um incentivo para que o tal príncipe apareça, mesmo que duvide muito que isso aconteça. Os amigos se trancam em seus quartos e arrumam outros amigos com os quais se preocupar. No mínimo estive parada aqui o tempo todo, vendo a vida passar, as pessoas sonharem, os olhos brilharem, os outros se apaixonarem. E eu ali, só observando. Me sinto como uma narradora de futebol, observando, registrando, mas não vivendo.
E no fim, ninguém diz adeus.

07/02/2010

Covarde


Seus atos refletem na dor e indignação absoluta que sempre surge nos olhos daqueles que maltrata. Confiança é algo que quando depositada é jogada fora sem o mínimo pudor, pelas mesmas mãos de quem não se importam de sangue espremer e escorrer.
Os olhares inúteis que lança são de tamanha crueldade, mas porém nem se comparam com seus golpes baixos lançados como cartas em uma mesa de pocker. A vida é como um jogo no qual vale tudo para se dar bem, inclusive as mais baixas tacadas nas quais fere a o corpo e a dignidade dos quais atinge.
Desde pequeno sempre fora covarde, cometendo atos cruéis que passavam despercebidos pela rotina agitada dos pais. Seu ódio pela vida era explícito e demonstrado a cada ser no qual matava do modo mais cruel que podera imaginar. Começara a praticar tais atos na infância, recorrendo a moto do pai que passava sobre pobres e desventurados cães e ratos.
Fazia absoluta questão de ignorar a palavra princípios, aceitando qualquer método do qual pudesse utilizar para ganhar as rixas inúteis da qual fazia questão de não parar de alimentar até que sangue fosse derramado, abraçando as mais desprezíveis formas de deixar as pessoas aos seus pés. Seu jogo sujo, porém, de nada adianta para esconder tamanha inferioridade, que é explícita a qualquer um que veja seus atos inseguros tentando provar às pessoas e, creio, a si mesmo de que não o é.

04/02/2010

Estranho irremediável


Às vezes me vejo sozinha. Sabe quando os olhos escondem uma tristeza irremediável que você não sabe de onde vem? Sabe quando algo que parece sair do passado mas te abraça no futuro, sem querer te abandonar? O problema é que ninguém sabe. Isso é o que mais me faz sentir estranha. Me sinto como se fosse um tanto anormal pelos meus sentimentos de tristeza-profunda-sem-motivo-visível. Os amigos fingem entender, a família também finge. Mas o fato é que ninguém entende.
O passado parecia mais claro. Quer dizer, a não ser que tenha algo sobre o meu passado que eu não saiba. Como se quando eu fosse bebê cometesse assassinatos em série ou algo assim. Mas acho difícil, meus pais não permitiriam. Quer dizer, antes eu achava ser tudo muito simples. Quando ficava triste, algo surgia do nada e me fazia feliz. Uma roupa nova, aquele sapato da vitrine, aquele recado no Orkut. Mas agora nada mais parece consumir com algo sombrio que parece me corroer. Espero que passe logo antes que me veja completamente louca e submersa em meus pensamentos insanos.

31/01/2010

Verdades não ditas

Erros e defeitos, problemas na compreensão
Que fazemos da vida, procurando a perfeição
Olhos encontram olhos, fingindo não saber
Quão falsos são os sorrisos, que lançam sem perceber

Abraços e risadas, mentiras mal escritas
Vidas que se formam, graças às mentiras ditas
Mãos tocam mãos, lutando para se apaixonar
Aceitando o dinheiro, que não deixa de te agradar

Fofocas e intrigas, verdades não ditas
que escondem-se nos beijos das falsas amigas
lábios encostam lábios, desejando não vomitar
esforços perdidos, e a alegria nunca encontrar.

27/01/2010

Homem mutilado



Ninguém sabe o que se passa no seu coração
Enquanto sofre mais uma decepção
Despedaça-se na ultima tentativa de amar
Optando por nunca mais sonhar

As estrelas já não brilham à noite
Suas asas são cortadas nesse instante
O sol já não nasce com o mesmo brilho
E aos poucos ele vai escorregando pelo abismo

O veneno desce pela sua garganta com a dor
Que final romântico, morrer de amor

solidão


Amigos de verdade são a coisa mais rara que se pode imaginar. Pode ser que seja minha culpa por falar a verdade a quem queira ou por virar a cara para quem não gosto.
Mentiras são ditas o tempo todo a minha volta e todos são hipócritas o bastante para fingir que são todos amigos quando na verdade querem comer o fígado um do outro.
É irônico o fato de que a verdade consegue enconder-se debaixo de quem quer que seja, e, sem que percebam transforma-os em farsas contraditórias.
O medo da solidão transforma as pessoas em cúmplices das mentiras descaradas que saem de suas bocas sem que percebam, fingindo amor pelo inimigo. Talvez seja meu o defeito de não fingir amizades, mas não consigo compreender como desde tão pequenas as pessoas já tem sangue de barata o suficiente para serem pisadas e fingirem que nada acontece.
Por mais esperto que possa ser, um dia irão se emaranhar em suas próprias teias milimetricamente traçadas para enganar os outros e irão se ver sozinhos, mais isolados do que os que não vêem necessidade em forjar simpatia pelos quais só ódio conseguem sentir.

09/01/2010

campanha de camisetas





Eu adorei as camisetas, e não podia deixar de postá-las aqui, né? Bom, mas elas tem um propósito: ajudaram na luta contra AIDS.
A moda tem colaborado com várias campanhas como essa, por exemplo a campanha que a Levi’s fez com frases bem humoradas do Cazuza.
As frases estampadas não saíram das músicas do Cazuza, mas de depoimentos que ele deu ao longo da sua vida, retiradas de entrevistas e declarações. As frases foram selecionadas e mostradas à Lucinha Araujo, que fez questão de aprovar uma por uma.
Declarações como “Amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata”, “Você está vivo”, “Eu queria ter dar a lua, só que pintada de verde”, “Olhar o mundo com a coragem do cego” e “Nada nesse mundo é nunca mais” estampam camisetas masculinas e femininas.

06/01/2010

O que está esperando?


Acordo cedo de manhã e vou ver minha sorte de hoje do Orkut. “Faça o que for preciso para ser feliz hoje”. Pois bem. O que está esperando? As palavras ficaram martelando na minha cabeça. Depois escuto uma música tentando esquecer aquela frase, e na minha cabeça fixa-se outra. “O que mais importa, não são os outros, é você”.
Às vezes a gente não presta tanta atenção. O quanto as pessoas lutam lá fora pela “felicidade” enquanto você não aceita o convite das amigas pra tomar um sorvete e prefere dormir do que ir em uma janta com os amigos. Sei lá, às vezes parece que jogamos a felicidade no vaso. E quando voltamos lá, alguém já deu descarga. Sabe, enquanto você dorme seus amigos fazem novos amigos e você perdeu. Perdeu de ouvir as novidades, perdeu de ver os sorrisos, perdeu de sorrir. E então põe a culpa em quem “deu a descarga” quando simplesmente a culpa foi sua.
Todos temos mil oportunidades diárias para alcançar a felicidade, ou pelo menos tentar. Mas às vezes a gente simplesmente acha que as coisas são impossíveis pra gente. Às vezes precisamos que alguém diga “VÁ!” pra que a gente se alerte. Para que não troquemos oportunidades preciosas por coisas tediosas.
Então tente. Sério, você está de férias e esperando que as coisas venham até você. Mas chegou a hora de levantar a bunda flácida do sofá e ir até a janela. Ou melhor, até a rua. Ou quem sabe, até um restaurante. Não espere que as coisas aconteçam. Vá, ande. Corra. (: